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Estudo caracterizou os efeitos da pluma do Rio Amazonas na dispersão de organismos marinhos no Oceano Atlântico Tropical Ocidental

O artigo "Community-level egg and larval trait interactions with the Amazon River plume determine its role as a dispersal barrier" (Tradução: Interações de características de ovos e larvas em nível de comunidade com a pluma do Rio Amazonas determinam seu papel como barreira de dispersão) foi publicado na revista Ecography, da Nordic Socienty Oikos Journals por pesquisadores da DIOTG/CGCT-INPE.
publicado: 03/08/2026 14h54 última modificação: 03/08/2026 15h00

 O artigo "Community-level egg and larval trait interactions with the Amazon River plume determine its role as a dispersal barrier" (Tradução: Interações de características de ovos e larvas em nível de comunidade com a pluma do Rio Amazonas determinam seu papel como barreira de dispersão) foi publicado na revista Ecography, da Nordic Socienty Oikos Journals por pesquisadores da DIOTG/CGCT-INPE. O estudo é liderado pelo doutorando Ramon Santos da PGSER / INPE, orientado pelo pesquisador Douglas Gherardi e Nelson Gouveia, egresso da PGSER. O artigo já está disponível em https://nsojournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ecog.08501

O resumo do artigo está disponível abaixo:

A pluma do Rio Amazonas (ARP) atua como uma barreira biogeográfica dinâmica e permeável, cuja permeabilidade à dispersão larval depende da interação entre as características biológicas das espécies e os processos oceanográficos. Utilizando modelagem biofísica combinada com uma abordagem analítica dupla — composta por uma árvore de regressão multivariada (MRT) e um modelo aditivo generalizado (GAM) —, este estudo quantifica os fatores que regulam essa permeabilidade para ovos e larvas. A análise adotou uma perspectiva comunitária abrangendo grandes grupos taxonômicos presentes no *pool* regional de espécies — incluindo corais, gastrópodes marinhos, crustáceos e peixes do Atlântico tropical ocidental. Os resultados revelam uma hierarquia clara de fatores controladores, na qual a duração da fase larval planctônica (PLD) surge como o principal determinante, explicando a maior parte da variação nas distâncias de dispersão (58%). A migração vertical nictemeral (DVM) foi o segundo fator biológico-chave (11%), modulando se as larvas eram retidas localmente (com DVM) ou exportadas para regiões distantes (sem DVM). A sazonalidade e o contexto geográfico dos habitats de desova também moldaram as interações das larvas com a pluma, reforçando a complexidade espacial e temporal desse sistema. Em suma, a ARP não atua como uma barreira absoluta, mas sim como um continuum de permeabilidade — um filtro seletivo que restringe a dispersão de ovos e larvas de espécies costeiras com PLD curta e baixa tolerância fisiológica, ao mesmo tempo que facilita o intercâmbio para comunidades com maior capacidade de dispersão e plasticidade comportamental.

 Localização geográfica de áreas de desova utilizadas nas simulações de transporte lagrangiano

 

Figura: Localização geográfica das 614 áreas de desova (referidas como habitats no texto principal; representadas por quadrados cinza-claros e detalhadas no quadro inserido no canto inferior esquerdo) utilizadas nas simulações de transporte lagrangiano (Ichthyop).