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Estudo descreve a existência de um paradoxo durante a análise de séries temporais de índice de vegetação no Cerrado
Um estudo liderado por Yan Breno Azeredo Gomes da Silva, doutorando na Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto no INPE, sob a supervisão de Lênio Soares Galvão (DIOTG/INPE) e Fábio Marcelo Breunig (UFPR), e colaboração de Lucas Batista de Oliveira (UFF), analisou trajetórias de NDVI derivadas de dados do sensor MODIS entre 2000 e 2022. A análise considerou duas regiões contrastantes do Cerrado brasileiro: uma região agrícola consolidada na porção centro-sul do Cerrado e a fronteira agrícola do MATOPIBA em direção ao norte.
O artigo foi publicado nesta semana no periódico Environmental Monitoring and Assessment (Springer) e pode ser acessado através dos links https://rdcu.be/frojA ou https://doi.org/10.1007/s10661-026-15637-y
As trajetórias de NDVI foram determinadas pelos autores utilizando o Trends.Earth, sendo posteriormente correlacionadas com os dados de produtividade primária (GPP) do MODIS. Os fatores comuns em ambas as regiões e os específicos de cada região, associados às tendências, foram analisados por meio de regressão logística binária e testes z do tipo Wald.
Os autores revelaram a existência de um paradoxo no sensoriamento remoto do Cerrado. Apesar das diferenças marcantes entre as regiões (consolidada e fronteira agrícola), o principal fator comum associado ao declínio do NDVI foi a conversão da vegetação nativa do Cerrado em áreas de culturas agrícolas e pastagens. Paradoxalmente, a região agrícola consolidada, onde a maior parte do desmatamento ocorreu antes do início das observações por satélite, apresentou maior estabilidade, com a menor proporção de pixels em declínio temporal de NDVI (7%) e a maior proporção de aumento (52%). Em contraste, a fronteira agrícola de MATOPIBA, onde a vegetação nativa ainda predomina e a maior parte da conversão ocorreu durante o período de observação por satélite, apresentou maior declínio do NDVI (16%) e menor proporção de aumentos (37%). As relações positivas entre NDVI e GPP foram mais fracas na região consolidada do que na fronteira agrícola.
Figure 1. Tendências de longo prazo (2000-2022) do MODIS para (A) NDVI e (B) GPP na região agrícola consolidada (contorno azul) e na fronteira agrícola de MATOPIBA. As cores vermelhas indicam declínios de longo prazo no verdor da vegetação e na produtividade, enquanto as cores azuis indicam tendências de aumento. A cor amarela representa estabilidade temporal do NDVI e do GPP. Fonte: da Silva et al. (2026).
Entre os fatores específicos afetando a tendência de longo prazo do NDVI de cada região destacaram-se a precipitação pluviométrica, a fração de areia do solo e a frequência de queimadas. O maior tempo de uso agrícola do solo contribuiu para aumentos no NDVI, provavelmente refletindo práticas de manejo agrícola que mascaram processos subjacentes de degradação da terra, gerando o mencionado paradoxo.
Os resultados do estudo indicam que avaliações de degradação da terra baseadas em NDVI no Cerrado devem considerar o histórico prévio de uso da terra e as práticas de manejo agrícola em relação ao período coberto pelas observações de satélite.
Detalhes podem ser vistos na referência abaixo:
da Silva, Y.B.A.G; Galvão, L.S.; Breunig, F.M.; de Oliveira, L.B. (2026). Vegetation Index Trends under Contrasting Land-Use Occupation in Brazilian Savannas: A Paradox between the Established Region and the Agricultural Frontier. Environmental Monitoring and Assessment, 198: article 792. https://doi.org/10.1007/s10661-026-15637-y
