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Projeto Panoptes, parceria entre TCU e INPE, ganha prêmio Reconhe-Ser 2025
O projeto Panoptes, liderado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e com participação dos pesquisadores do INPE Karine Ferreira, Gilberto Queiroz, Marcos Adami e Thales Korting - DIOTG/CGCT/INPE, ganha prêmio Reconhe-Ser 2025.
A dupla premiação — do comitê técnico e do júri — do Prêmio Reconhe-Ser 2025 é prova concreta do impacto e valor excepcional que esse projeto representa para a modernização do controle externo brasileiro. E não é um reconhecimento isolado: é a convergência de dois julgamentos independentes sobre a relevância e os resultados do projeto.
O contexto que torna essa premiação ainda mais significativa. Para dimensionar o que essa distinção representa: em 2025, foram submetidos mais de noventa projetos na categoria de controle externo ao Prêmio Reconhe-Ser e apenas dois foram vitoriosos. O Panoptes conquistou esse lugar não apenas por impacto, mas em meio a uma competição muito acirrada, diante de uma banca de especialistas e profissionais de auditoria. A dupla avaliação positiva não valida só o rigor metodológico: comprova que esse projeto tem a possibilidade de apoiar na resolução de problema histórico e real da administração pública brasileira.
Os resultados que sustentam essa premiação estão expressos na Fase 1 (2023-2024) do Panoptes que direcionou para ações concretas e que justificam plenamente o reconhecimento duplo:
1. Automação em escala nacional: Estruturaram a coluna vertebral de um sistema de monitoramento automatizado para operações de crédito e seguro rural, integrando imagens de satélite e inteligência artificial aos produtos e serviços do INPE (Brazil Data Cube, WLTS, WTSS).
2. Detecção de irregularidades em volume: Por meio de quatro provas de conceito que cobriram aproximadamente 240 mil operações, conseguiram identificar indícios de desvio variando de 0,7% a 26,6% — totalizando operações suspeitas de mais de R$ 2,5 bilhões.
3. Indicadores inéditos de efetividade: Criaram métricas que a administração pública nunca teve antes sobre a efetividade real das políticas agrícolas — revelando que apenas 26,8% das áreas financiadas para recuperação de pastagens apresentaram melhoria.
4. Capacitação e transferência de saber: Produziram centenas de horas de conteúdo educacional em plataformas públicas (GitHub, Kaggle, YouTube), incluindo oito cadernos de código em Jupyter Notebook comentados. Abriram a caixa preta. Outros atores públicos e acadêmicos conseguem agora replicar, aprimorar e adaptar.
5. Pronto para escala: Os resultados estão prontos para monitoramento de aproximadamente R$ 605 bilhões em crédito rural por ano-safra.
E não é só uma inovação técnica, é institucional também. O projeto articula mais de 118 participantes de 16 organizações — bancos, universidades, órgãos de fiscalização e polícia, institutos de pesquisa, ONGs — em um esforço colaborativo que é praticamente inédito na administração pública brasileira. Prioriza tecnologias livres, gratuitas
ou de custo baixo, garantindo que a solução seja replicável e sustentável em longo prazo. Abre código e metodologia para o público, disseminando capacidade técnica.
O TCU e os parceiros institucionais reconhecem, com satisfação genuína, a contribuição inestimável que os quatro pesquisadores do INPE geraram para o futuro do controle externo no Brasil. A dupla premiação é o reflexo dessa transcendência e um reconhecimento do empenho genuíno que dedicaram ao Panoptes.


