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Software desenvolvido pelo INPE simula a trajetória da lama no colapso da Barragem em Brumadinho/MG

A trajetória da lama provocada pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), foi verificada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com a análise de imagens de satélites e auxílio do HAND - um modelo digital que...
publicado: 01/02/2019 18h14 última modificação: 04/02/2019 09h40

A trajetória da lama provocada pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), foi verificada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com a análise de imagens de satélites e auxílio do HAND - um modelo digital que pode mapear áreas de risco e de vulnerabilidade a desastres.

Desenvolvido no INPE, o HAND considera a direção local de fluxo para representar o caminho da água no terreno até a drenagem mais próxima. Os valores do modelo estão relacionados à profundidade do lençol freático e à distância vertical em relação à drenagem. O HAND pode ser aplicado para inferir a variação de tipos de vegetação, vulnerabilidade à inundação e outras aplicações.

A imagem do satélite CBERS-4 obtida no dia 29 de janeiro de 2019 mostra alteração na reflectância das áreas atingidas pelo material liberado pela barragem (Figura 2). Para a análise comparativa, foi utilizada uma imagem gravada no dia 23 de outubro de 2018 pelo mesmo satélite (Figura 1).

A mancha de inundação prevista para cotas de 5 a 50 metros usando o modelo HAND sobre dados SRTM (30m) pode ser verificada na Figura 3. A maior parte das áreas atingidas está na faixa até 10 metros (tons de vermelho no modelo), atingindo até áreas de maior altitude devido ao fluxo da lama. Devem ser consideradas exceções que podem estar relacionadas com as incertezas do DEM (modelo digital de elevação do terreno).

As imagens foram processadas no TerraView e SPRING, sistemas de informações geográficas do INPE, e o HAND foi gerado no TerraHidro, sistema para modelagem hidrológica distribuída, software também desenvolvido no Instituto. Confira mais abaixo os resultados.

Todos os arquivos estão disponibilizados na página da OBT em Colapso de Barragem em Brumadinho/MG (Chamado 686 do Disasters Charter).

Antes

 Figura 1 - imagem CBERS-4 da região de Brumadinho/MG anterior ao desastre

Figura 1: Imagem do satélite CBERS-4 da região de Brumadinho/MG do dia 23 de outubro de 2018.

 

Depois

Figura 2 - imagem CBERS-4 da região de Brumadinho/MG após desastre

Figura 2: Imagem do satélite CBERS-4 da região de Brumadinho/MG do dia 29 de janeiro de 2019. Pode-se observar que nos locais próximos à barragem e sobre várias localidades em Brumadinho/MG os rejeitos (em tons avermelhados) atingiram áreas localizadas entre as curvas de nível até 50 metros (análise conjunta com a Figura 3).

 

Figura 3 - Simulação da trajetória da lama pelo modelo HAND no software TerraHidro

Figura 3: Simulação do HAND (com curvas de nível a cada 5 metros), com o contorno da mancha de inundação dos rejeitos depositados (linha em preto). Quadrados brancos são edificações.