AVALIAÇÃO DA ACURÁCIA DAS
TEMPERATURAS DA
SUPERFÍCIE DO MAR OBTIDAS POR SATÉLITE PARA A
REGIÃO SUL-SUDESTE DA COSTA BRASILEIRA
Dissertação de Mestrado -
Carlos Eduardo Salles de Araujo
Dissertação de Mestrado em Sensoriamento Remoto,
orientada pelos Drs.
João Antônio Lorenzzetti e Merritt Raymond Stevenson, aprovada em 27
de junho de 1997. Resumo
Este trabalho tem por finalidade propor uma avaliação regional da
acurácia dos algoritmos globais operacionais de correção atmosférica
multicanal
(MCSST), derivados pela (NOAA), e utilizados na determinação da
temperatura da
superfície do mar (TSM) por satélite. A área de estudo pertence a região
oeste do
oceano Atlântico Sul, abrangendo as costas sul e sudeste do Brasil. São
utilizados
dados coincidentes e simultâneos dos satélites meteorológicos da série
NOAA (sensor
AVHRR), gravados pela estação HRPT do INPE de Cachoeira Paulista-SP, e
de campo,
obtidos por derivadores de baixo custo (LCDs), no âmbito do projeto
COROAS
(Circulação Oceânica da Região Oeste do Atlântico Sul), para o período
de fevereiro de
1993 a junho de 1994. As coincidências temporais são em torno de um
intervalo de 12
horas e as espaciais entre 2 Km e 12 Km. A avaliação consiste na análise
estatística das
acurácias (RMSDs) dos algoritmos e dos desvios tendenciosos de
temperatura
(diferenças médias de temperatura satélite-bóia ou “bias”). O algoritmo
global “splitwindow”
do satélite NOAA 11 revelou uma RMSD de 0,87ºC, com um “bias” de
0,24ºC, enquanto que o algoritmo do NOAA 12 apresentou uma RMSD de 0,94
com um
“bias” de 0,32ºC. Para se eliminar estes desvios tendenciosos e aumentar
as acurácias
(diminuir as RMSDs), novos algoritmos regionais foram derivados de duas
formas
diferentes. Na primeira, uma regressão linear simples foi usada para
corrigir os valores
de TSM gerados pelo algoritmo global. Na segunda, uma equação
“split-window” foi
derivada por modelos de regressão linear múltipla. Quando comparados com
os
algoritmos globais, os novos algoritmos derivados pela primeira forma
demonstraram
um aumento na acurácia de 0,18ºC para o NOAA 11 (RMSD = 0,69ºC) e de
0,06ºC para
o NOAA 12 (RMSD = 0,88ºC). Pela segunda forma, as equações derivadas
apresentaram uma melhoria de 0,09ºC para o NOAA 11 (RMSD = 0,78) e de
0,05ºC
para o NOAA 12 (RMSD = 0,89). Os valores obtidos são ligeiramente
inferiores ao
valor de acurácia médio atribuído ao algorítmo global (0,07ºC).
Provavelmente isto se
deve ao fato da maioria dos dados utilizados estarem localizados em
regiões frontais, na
borda oeste da Corrente do Brasil, de significativos gradientes de TSM e
com grande
presença de meandros e vórtices. Recomenda-se também, que para uma
melhor
estimativa da TSM, os algoritmos split-window sejam derivados a partir
de uma série de
dados com uma distribuição temporal mais ampla.
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