Utilização da reflectância espectral para a estimativa de pigmentos fotossintéticos em dosséis de soja [Glycine Max (L.), Merril]


Dissertação de Mestrado - Clotilde Pinheiro Ferri

    Tese de Doutorado em Sensoriamento Remoto, orientada pelo Dr. Antonio Roberto
    Formaggio, aprovada em 28 de março de 2002.

Resumo

    Os pigmentos fotossintéticos são essenciais para o desenvolvimento das plantas, pois
    são responsáveis pela captura da energia solar incidente usada na fotossíntese. Com o
    desenvolvimento do sensoriamento remoto hiperespectral, tem-se aberto a possibilidade
    de quantificar estes pigmentos individualmente em grandes extensões de lavouras
    agrícolas e estas informações auxiliam na determinação do estado fisiológico da
    vegetação, na discriminação de espécies e na estimativa da produtividade. Uma das
    maneiras de utilizar os dados de sensores hiperespectrais na determinação da
    concentração de pigmentos, é pelo uso de índices de reflectância espectral que utilizam
    bandas espectrais estreitas na forma de soma, razão ou multiplicação. Assim, com este
    trabalho, buscou-se fornecer bases para a construção de conhecimentos na área de
    sensoriamento remoto hiperespectral e suas relações com culturas agrícolas. Como
    hipótese de trabalho, propõe-se que é possível, usando sensoriamento remoto de alta
    resolução espectral, estimar pigmentos fotossintéticos de dosséis vegetais agrícolas,
    sendo necessário levar em conta as influências de solos espectralmente distintos. A
    presente pesquisa sugere também que existem relações significativas entre reflectância
    espectral e parâmetros agronômicos de uma cultura agrícola, tendo como objetivos: (a)
    avaliar as relações entre componentes vegetais da cultura da soja e resposta espectral
    através dos índices espectrais: R750/R700, R750/R550, Ratio Analysis of Reflectance
    Spectra (RARS), Pigment Specific Simple Ratio (PSSR) e Pigment Specific Normalized
    Difference (PSND); e (b) analisar a influência de dois solos espectralmente diferentes
    no comportamento espectral dessa cultura. Para testar a hipótese estabelecida e atingir
    os objetivos propostos, a presente pesquisa foi realizada por método experimental, em
    condições de casa de vegetação, utilizando-se espectroradiômetros de alta resolução,
    com a cultura da soja [Glycine max (L.), Merril] tendo sido conduzida e monitorada
    espectralmente ao longo do seu ciclo fenológico. Assim, em função dos procedimentos
    utilizados e das análises realizadas, foi possível chegar a algumas conclusões e
    recomendações, verificando que (a) as plantas de soja tiveram um desenvolvimento
    considerado normal mesmo tendo sido cultivadas em condições de casa de vegetação,
    tendo apresentado um sistema assimilatório suficiente e eficiente para a produção e
    acúmulo de matéria seca; (b) os solos usados, mesmo tendo sido dois extremos
    espectrais (o primeiro com características de baixa reflectância e o segundo com alta
    reflectância) não influenciaram nas respostas espectrais dos dosséis de soja na maior
    parte do seu ciclo fenológico; (c) a partir da fase fenológica V3, da cultura as respostas
    espectrais já começaram a ser de vegetação, tendo iniciado então a manifestação de
    relações entre as respostas espectrais e a concentração de pigmentos, confirmando a
    validade de se estudar estas relações para posteriores determinações do estádio
    fenológico e de outras características de vigor, sanidade e produtividade da cultura por
    imagens hiperespectrais; (d) todos os espectros coletados apresentaram maior
    reflectância no infravermelho próximo, em torno de 740 nm; e) a posição da borda
    vermelha situou-se em torno de 700 nm; f) os espectros apresentaram curvas
    características de acordo com a fase de desenvolvimento da cultura da soja, tendo
    influência do solo de fundo nas fases iniciais e finais da cultura; (g) as posições do
    comprimento de onda equivalente ao valor mínimo de reflectância no vermelho (Vmin)
    e do ponto de inflexão (PI) da curva apresentaram boas relações com o conteúdo de
    pigmentos, tendo o Vmin diminuído com o aumento da concentração de Clorofila a e o
    PI aumentado com o aumento da concentração de Clorofila total; (h) as razões
    R750/R550 e R750/R700 mostraram ser bons índices para a determinação de Clorofila
    a e de Clorofila total, e estes índices, quando comparados com o NDVI (um dos índices
    espectrais de banda larga mais usados em sensoriamento remoto da vegetação),
    mostraram ser mais eficientes; (i) a análise dos três índices de bandas estreitas, o RARS,
    o PSND e o PSSR, para a determinação de Clorofila a e b e Carotenóides, mostraram
    que o melhor índice foi o PSSR; (j) o índice RARS não mostrou boas relações quando
    os dados de todo o ciclo fenológico foram usados; porém, apresentou bons resultados
    quando se avaliou a cultura em fases bem delimitadas, como a vegetativa e a reprodutiva
    separadamente, para a determinação de Clorofila a e b. Para a determinação de
    Carotenóides, este índice não foi eficiente; (k) o índice PSND também apresentou ter
    relação com o conteúdo de Clorofila a e b e nenhuma relação com o conteúdo de
    Carotenóides; (l) somente o índice PSSR foi um bom estimador da concentração de
    pigmentos nas plantas, em nível de dossel, sendo que este índice também não
    apresentou bons resultados para estimar a concentração de Carotenóides. Assim, com o
    presente trabalho fica comprovado que é possível estimar pigmentos fotossintéticos
    através de Sensoriamento Remoto Hiperespectral em nível de dossel, através dos índices
    avaliados e de outros que podem ser gerados. Trabalhos devem ser realizados com o
    propósito de se avaliar estes e outros índices em nível de dossel, tanto em laboratório
    como em condições de campo, usando espectroradiômetros e imagens hiperespectrais a
    fim de se verificar a eficiência destes para futuras utilizações agrícolas.

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