VARIABILIDADE ESPACIAL E TEMPORAL DO NDVI SOBRE O
BRASIL E SUAS CONEXÕES COM O CLIMA


Dissertação de Mestrado - Helen da Costa Gurgel

Dissertação de Mestrado em Sensoriamento Remoto, orientada Pelo Dr. Nelson Jesus
Ferreira, aprovada em 30 de março de 2000.

Resumo

    Este trabalho avalia as conexões entre o Índice de Vegetação por Diferença
    Normalizada (NDVI) e as variabilidades climáticas anual e interanual sobre o Brasil. As
    análises foram feitas utilizando-se NDVI e Radiação de Ondas Longas (ROL),
    derivados do National Oceanic and Atmospheric Administration – Advanced Very High
    Resolution Radiometer (NOAA-AVHRR). O estudo foi baseado no comportamento
    estatístico destes dados para o período de janeiro de 1982 a dezembro de 1993. Foram
    utilizadas as técnicas de estatística multivariada de análise por componentes principais
    (ACP) e análise de agrupamento, bem como médias mensais e sazonais e anomalias. A
    ACP foi aplicada nos dados de ROL e de NDVI; já a análise de agrupamento foi feita
    apenas nos dados de NDVI. Os resultados obtidos mostram que as médias e anomalias
    de ROL, assim como a ACP, possibilitaram a caracterização climática espacial e
    temporal dos principais sistemas de tempo que atuam sobre o Brasil. Em relação à ACP,
    observou-se que a primeira componente representa o padrão médio da atividade
    convectiva; a segunda e quarta componentes estão associadas aos modos verão/inverno
    e primavera/outono do ciclo anual; a terceira componente mostra as variações
    moduladas pelos eventos de El Niño, e; a quinta componente está associada ao ciclo
    semi-anual. A análise de agrupamento realizada nos dados de NDVI, identificou sete
    grandes grupos de vegetação que ocorrem no Brasil e revelou a variabilidade anual e
    interanual e o tempo de resposta a precipitação destes grupos. A ACP aplicada ao NDVI
    demonstrou a potencialidade desta variável em caracterizar as grandes feições da
    vegetação que predominam no território brasileiro. Além disso, caracterizou-se a
    variabilidade anual e interanual destas tipologias de vegetação relacionadas com a
    variabilidade climática (componentes 1, 2 e 3). A ACP também revelou os principais
    fatores “não climáticos”, tais como ocorrência de queimadas, mudança de horário da
    passagem dos satélites NOAA e trocas dos satélites NOAA 9 e 11 (componentes 4, 5, 6
    e 10), que ocasionam distúrbios no NDVI. Os altos valores de correlações obtidos entre
    os autovetores, resultantes da ACP da ROL e do NDVI, que correspondem aos modos
    verão/inverno (r = 0,91) e primavera/outono (r = 0,70), indicam que a variabilidade
    anual da cobertura vegetal brasileira é modulada em grande parte pelo regime climático.
    Os resultados encontrados também sugerem que as técnicas estatísticas utilizadas neste
    trabalho, mostraram-se ser, interessantes ferramentas para caracterizar eventos de
    mudanças periódicas ou aperiódicas em dados de séries temporais obtidos através de
    sensoriamento remoto.

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