GEOTECNOLOGIAS EM UM SISTEMA DE ESTIMATIVA DA
PRODUÇÃO DE SOJA: ESTUDO DE CASO NO RIO GRANDE DO SUL


Tese de Doutorado  - Rodrigo Rizzi

    Tese de Doutorado do Curso de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto, orientada
    pelo Dr. Bernardo Friedrich Theodor Rudorff, aprovada em 30 de abril de 2004.

Resumo

    Este trabalho objetivou desenvolver um sistema para estimativa da produção
    da cultura da soja através da utilização de geotecnologias e testá-lo no Estado
    do Rio Grande do Sul. A área de estudo compreendeu 322 municípios, os
    quais perfazem mais de 90% da produção de soja do Estado. A estimativa da
    área plantada foi realizada para os anos-safra 2000/01 e 2001/02 por meio de
    seis cenas do satélite Landsat adquiridas em duas datas por cena, para cada
    ano-safra. Em 2000/01, a estimativa foi realizada em nível municipal e estadual
    através da classificação automática e da interpretação visual das imagens. Em
    2001/02, empregaram-se as imagens num sistema de amostragem por
    segmentos, visando a estimativa de área plantada em nível estadual. A
    estimativa da produtividade foi realizada para os anos-safra 2000/01 a 2002/03,
    empregando-se um modelo agrometeorológico-espectral (MAE) inserido num
    Sistema de Informações Geográficas, cuja variável espectral é o índice de área
    foliar (IAF) estimado a partir das imagens NDVI do sensor MODIS. Em
    substituição ao IAF estimado através do NDVI, foram testados dados de IAF
    obtidos na literatura, sendo o modelo então denominado agrometeorológico
    (MA). A produção da soja foi obtida pelo produto dos valores de área plantada
    e produtividade. Os resultados obtidos pelo presente estudo foram comparados
    aos dados oficiais provenientes do Levantamento Sistemático da Produção
    Agrícola (LSPA). Para a estimativa da área plantada, em 2000/01, as maiores
    diferenças relativas foram encontradas em municípios onde a cultura tem
    pouca expressão (abaixo de 10.000 ha) e as maiores diferenças absolutas
    foram observadas em municípios de expressiva área plantada (acima de
    10.000 ha). Em nível estadual, verificou-se uma superestimativa por parte do
    LSPA em relação à classificação das imagens Landsat de aproximadamente
    11,3%. Para 2001/02, o método de amostragem retornou um incremento de
    11,97% em relação a 2000/01, o qual foi consideravelmente superior ao dado
    oficial (8,76%). Devido às discrepâncias encontradas, os valores de área
    plantada obtidos pelo presente estudo foram utilizados para corrigir os dados
    oficiais de produtividade em nível estadual e municipal, sendo que para
    2002/03 utilizou-se o incremento em relação a 2001/02 fornecido pelo LSPA.
    Para os anos-safra 2000/01 e 2001/02 não foram observadas diferenças
    significativas entre o LSPA e os modelos de estimativa, para α = 5% (t=0,03
    para o MAE e MA em 2000/01 e t=0,20 para MAE e 1,81 para o MA em
    2001/02). Em 2002/03, ambos os modelos subestimaram o valor de
    produtividade fornecido pelo LSPA, quando as diferenças encontradas foram
    de 204 (t=6,48) e 228 kg ha-1 (t=7,3) para os MAE e MA, respectivamente. Em
    adição, através do MAE, foi possível monitorar temporal e espacialmente a
    evolução da produtividade durante todo o ciclo da cultura. Ante os resultados
    encontrados, o sistema proposto pode ser utilizado como suporte ao método
    tradicional e subjetivo de estimativa da produção de soja no Rio Grande do Sul.

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